Sustentabilidade. Filantropia ou negócio?

terça-feira, 23 abril 2019 10:59

Filantropia ou negócio? Como afinal devem ser encaradas as questões da sustentabilidade na operação de uma empresa? Barry Parkin, Chief Sustainability and Health & Wellbeing Officer da Mars, abordou estas questões na entrevista exclusiva dada ao Dinheiro Vivo, aquando da sua passagem por Portugal.

Com o foco no plano “Sustainable in a Generation”, Parkin falou sobre os diversos temas da atualidade, desde a energia renovável às relações com a cadeia de valor, e explicou como a multinacional está já a fazer alterações no modelo de negócio e a beneficiar com isso.

Com as relações com a cadeia de abastecimento – nomeadamente, com o setor agrícola – a ser um dos pontos mais importantes da operação da Mars, Barry Parkin explicou ao Dinheiro Vivo: “a Mars é um negócio alimentar, com cerca de 1 milhão de agricultores a produzir matéria-prima para nós. Se queremos ser um negócio sustentável temos de mudar a agricultura”. E sobre esta aposta o responsável deu mais detalhes: “começámos projetos no terreno que visam gerar benefícios mútuos, onde o agricultor obtém um benefício, por norma, um grande aumento no seu rendimento, onde o planeta sai beneficiado, por exemplo, através do uso de menos água, e onde nós obtemos um benefício em termos de segurança das matérias-primas”.

Para a Mars a relação com agricultores não terá sucesso sem que as comunidades onde estejam inseridos saiam também beneficiadas.  É esta visão que leva a empresa a implementar iniciativas de valorização como é o caso de um dos exemplos dados por Parkin, o “Livelihood Fund for Family Farming”.  “Estes projetos mudam a vida das pessoas. Pegamos em comunidades em que as crianças mal podem ir à escola, para uma situação em que podem enviar os filhos para a universidade. Estamos a replicar este tipo de projetos pelo mundo, 3 a 4 por ano, com diferentes produtos, em diferentes geografias”, explicou Barry Parkin.

Entre os vários assuntos abordados, o Chief Sustainability and Health & Wellbeing Officer falou também nas questões da energia, sublinhando os benefícios da utilização de opções mais amigas do ambiente: “estamos a comprar energia renovável mais barata do que eletricidade produzida por energias fósseis. E isso é crucial. Isto não é caridade, filantropia, isto é negócio.”

Quando questionado pelo Dinheiro Vivo sobre o que mais pode ser feito pela sustentabilidade, Parkin destacou que as soluções passam pela cooperação: “se olhar para o sector da alimentação e bebidas e para empresas como a Mars, a Unilever ou a Danone são boas companhias, têm valores fortes […] Estamos a trabalhar coletivamente em pôr cobro à desflorestação, nas embalagens de plástico, no desperdício alimentar e no tema do trabalho forçado. Esse nível de colaboração não existia há 10 anos. Há empresas a trabalhar sozinhas, mas empresas a trabalhar em conjunto é realmente poderoso. Mas, o ator crucial que precisa de trabalhar connosco é o governo. Parcerias fortes com os Governos é o que permite acelerar a mudança”.

A finalizar a entrevista, Barry Parkin concluiu de forma perentória: “esta é uma estratégia que ou traz um benefício direto para o negócio, pode gerar um benefício ao ativar com os consumidores, reduz os custos na cadeia de produção ou, então, torna a tua marca corporativa mais atrativa. Sabemos que para as gerações que queremos atrair isto é significativo para eles: querem trabalhar para empresas que estão seriamente a fazer a coisa certa.”

A entrevista completa pode ser lida aqui.

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